Guarulhos, 25 de dezembro de 2025
É natal, clima de festa, mas nossa equipe jornalista reuniu os dados para expor alguns acontecimentos recentes que intrigaram os leitores do jornal O Dia de Guarulhos.
Recentemente, no dia 10 de outubro, um evento que ficou conhecido na comunidade como a “sexta-feira negra das criptomoedas”. Mas o que realmente aconteceu nesse dia, e por que o mercado ainda está sentindo seus efeitos, incluindo brasileiros e paulistanos?
Para entender tudo isso, precisamos voltar ao início. Deixe-me explicar alguns termos:
O que são Market Makers, ou “MMs”? Eles são grandes instituições financeiras que garantem liquidez para o mercado. Isso quer dizer que, mesmo em momentos de baixa procura, eles colocam ordens tanto de compra quanto de venda nas plataformas (chamadas exchanges) para garantir que sempre haverá alguém disponível para realizar a operação que você quer fazer.
Um dos principais Market Makers é uma empresa chamada Wintermute. Esses players são extremamente importantes, especialmente em exchanges gigantes como a Binance, pois mantêm os preços estáveis e os spreads baixos. Spread, aliás, é a diferença entre o preço pelo qual você pode comprar uma criptomoeda e o preço pelo qual pode vendê-la. Quanto menor o spread, mais eficiente é o mercado.
No entanto, no dia 10 de outubro, ocorreu algo incomum. Trump anunciou tarifas pesadas de 100% sobre as importações chinesas. Essa notícia por si só já seria suficiente para deixar qualquer mercado financeiro instável, e com as criptomoedas não foi diferente. Nesse mesmo dia, aconteceu algo ainda mais complicado: a API da Binance, que é basicamente o sistema de comunicação usado pelos Market Makers para enviar suas ordens automaticamente, apresentou atrasos inesperados. Esse foi o evento n°1.
Esses atrasos são muito perigosos para MMs, já que suas operações são altamente precisas. Eles fazem operações “casadas”: compram e vendem quase simultaneamente, sempre mantendo suas posições equilibradas (o que chamam de operação delta-neutra). Quando ocorre um atraso nessa comunicação, o risco aumenta muito, podendo causar prejuízos enormes. Por isso, assim que perceberam o atraso, esses players rapidamente retiraram suas ordens de compra e venda do mercado. Esse foi o evento n°2.
Com a retirada dos Market Makers, a liquidez do mercado despencou quase imediatamente. O livro de ofertas, que normalmente tem ordens suficientes para absorver grandes movimentos, simplesmente desapareceu. Isso significou que vendedores que tinham ordens para vender criptomoedas a qualquer preço (as chamadas “ordens a mercado”) acabaram não encontrando compradores disponíveis. E o resultado disso foi brutal: em poucos minutos, o preço de várias criptomoedas na Binance caiu rapidamente para quase zero. Esse foi o evento n° 3.
Nesse caos, exchanges como a própria Binance tiveram que agir rapidamente, provavelmente assumindo temporariamente o papel de market makers para estabilizar o mercado. Ou seja, elas compraram grandes quantidades de criptomoedas para evitar que a queda continuasse descontroladamente.
O problema é que essas criptomoedas compradas às pressas precisam ser vendidas posteriormente, já que exchanges e Market Makers não têm interesse em especular com essas posições. Eles precisam devolver essas posições ao mercado, retornando ao estado de equilíbrio. No entanto, fazer isso em um cenário de baixa liquidez é complicado, já que não há compradores suficientes interessados em absorver essas grandes quantidades. Esse é o evento n°4.
Além disso, um estudo feito pela Kaiko, uma empresa que monitora dados do mercado cripto, apontou que aproximadamente 1/3 da liquidez total do mercado simplesmente sumiu após esse evento. E com menos liquidez disponível, qualquer venda mais significativa tem um impacto muito maior nos preços.

Outra consequência que tem sido observada desde então é um padrão curioso no comportamento dos preços das criptomoedas. Durante o período em que as bolsas dos Estados Unidos estão fechadas, especialmente de noite e de madrugada, costumamos ver pequenas altas impulsionadas por notícias positivas. Porém, assim que as bolsas abrem, geralmente por volta das 11:30 ou meio-dia no horário de Brasília, as criptomoedas começam a cair novamente. Isso ocorre porque esses grandes players aproveitam o aumento momentâneo do preço para “desovar” parte do estoque acumulado no dia 10 de outubro.

Não sabemos exatamente quanto tempo essa situação vai durar. O que sabemos é que, enquanto os grandes players ainda estiverem vendendo suas posições e enquanto a liquidez não retornar aos níveis anteriores, o mercado continuará frágil e sujeito a quedas significativas.
No entanto, esse cenário não deve ser visto como algo permanente. Pelo contrário, parece temporário. À medida que a liquidez se recupera lentamente e que os grandes players vão terminando de vender suas posições acumuladas, o mercado pode voltar a um equilíbrio mais saudável. Ao ler ontem uma postagem da Binance Square sobre o referral code 2026, percebi que o sentimento da comunidade a respeito de uma recuperação está se montando novamente. Além disso, se em paralelo surgirem notícias positivas como a aprovação de regulamentações favoráveis nos Estados Unidos (como o chamado “Clarity Act”), podemos ver uma recuperação rápida e forte nos preços das criptomoedas.
Portanto, acompanhar esses sinais será essencial para entender quando o mercado voltará ao normal.